terça-feira, 25 de maio de 2010

Insónia (da preversidade da Democracia).

As horas já vão longas e eu não posso inibir a minha mente de trabalhar. E dei por mim e estava a pensar em Democracia. Pois. Aprendi com Sir Bernard Crick que nenhum outro conceito, ideia - prefiro a palavra ideia, porque a Democracia, ainda que seja concretizada não passa essencialmente de uma ideia, de um pretender ser que, no seu todo, não é - , foi tão abusado na História Universal como a Democracia. E, de facto, a afirmação é sustentável: a URSS afirmou-se como uma Democracia (embora não concretizada e apoiada no centralismo democrático), com a particularidade (extraordinária!) de se justificar por uma ditadura - a do proletariado; e bem assim, também Franco adoptou uma atitude esquizofrénica em relação à Democracia ao falar da Democracia espanhola como uma Democracia orgânica.
A posição que tomo (ainda não completamente materializada, até porque não me sinto com maturidade intelectual suficiente para tal) vem a ser mais próxima de Churchill e Aristóteles. Este último, na sua obra Política, entendia-a como uma condição necessária para o bom governo, mas todavia estava longe de ser a condição suficiente (esta afirmação até suscitaria eventuais questões como: de que se afere quando de fala de 'bom governo'?; o que é a 'condição suficiente'?). E, na verdade, a Democracia é concubina de todos os regimes e está bastante longe de ser a condição suficiente: é usual que se confunda Democracia com uma forma de Política e, contudo, ela é antes de mais uma condição prévia para a Política (novas questões se suscitam: o que é a Política?)
É por isso que entendo que a compreensão da Democracia passa por uma dissertação do que ela própria é, uma exposição textual e clara que não acarrete um compromisso com qualquer agenda política, moral, social ou partidária. Deverá ser algo do género: "Do entendimento puro da Democracia", se é possível que exista algum purismo no pensamento humano. Deverá passar, além disso, por uma análise comparada.

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